Em janeiro de 2026, a Reforma Tributária brasileira deixou de ser pauta de manchete e virou rotina de negócio. A CBS (0,9%) e o IBS (0,1%) começaram a ser cobrados em caráter de teste — e as notas fiscais emitidas agora precisam trazer campos novos, com tributos novos destacados. Uma pesquisa de março de 2026 revelou que 42% das PMEs brasileiras ainda não entendem o que muda. O problema é que o sistema de gestão da empresa não vai avisar quando errar.

O que mudou nas notas fiscais — e o que seu sistema precisa fazer

A reforma não troca os impostos de uma vez. Pelo cronograma oficial, até 2033 convivemos com dois sistemas tributários simultâneos: o antigo (ICMS, ISS, PIS, Cofins) e o novo (IBS e CBS). A partir de 2029, a transição se intensifica — o IBS começa a ser cobrado proporcionalmente enquanto ICMS e ISS são reduzidos gradualmente até a extinção completa em 2033. Isso significa que o ERP ou sistema emissor da sua empresa precisa calcular, destacar e reportar ambas as estruturas ao mesmo tempo.

Na prática, toda nota fiscal emitida a partir de 2026 deve, conforme as regras da fase de teste, destacar CBS e IBS nos campos específicos. Sistemas desatualizados simplesmente não têm esses campos — e o emissor pode nem perceber que a nota saiu incompleta.

A empresa que emite nota com campos errados corre dois riscos concretos: multas por descumprimento de obrigação acessória e perda de crédito tributário para o cliente.

Por que quem vende para outras empresas tem mais a perder

Se a sua empresa atende outras empresas (B2B), esse ponto é crítico. Com o novo sistema, o cliente que compra de você vai querer aproveitar o crédito de IBS e CBS que consta na nota. Se a nota não trouxer esses campos corretamente, o crédito não existe — e o comprador vai procurar outro fornecedor que consiga dar esse crédito.

O caso mais delicado envolve quem é optante do Simples Nacional. A partir de setembro de 2026, cada empresa precisará decidir se permanece no Simples tradicional — onde o crédito transferido para o cliente é reduzido — ou migra para o chamado Simples Híbrido, que permite transferência integral de créditos de IBS e CBS. É uma decisão que afeta diretamente a competitividade em contratos com empresas maiores, e poucos gestores sabem que esse prazo existe.

"No Simples Nacional tradicional, o crédito repassado ao cliente é reduzido. No Simples Híbrido, o cliente aproveita créditos integrais de IBS e CBS — o que pode definir se a sua empresa fica ou sai de uma cadeia de fornecedores B2B."

Três perguntas para checar agora

Você não precisa virar especialista tributário para saber se sua empresa está exposta. Basta responder três perguntas:

  • Seu sistema de emissão de notas recebeu atualização em 2026? Se o fornecedor não comunicou nenhuma mudança, há risco real de que o software não esteja preparado para os novos campos.
  • Seu contador revisou a configuração do ERP para CBS e IBS? Atualizar o sistema sem reconfigurar as alíquotas e os campos corretos não resolve — o dado errado sai com campos corretos.
  • Você vai decidir sobre o Simples Híbrido até setembro? Se sua empresa vende para outras empresas e você ainda não ouviu falar dessa opção, é o momento de conversar com o contador sobre o impacto nos seus contratos.

O que fazer quando a resposta for "não sei"

A resposta honesta para as três perguntas, na maioria das PMEs, é "não sei" — e isso não é descuido, é falta de tempo. O gestor está tocando o negócio, não acompanhando nota técnica da Receita Federal.

O passo prático desta semana é simples: ligue para o suporte do seu sistema emissor de NF e pergunte diretamente se a versão atual está adaptada para a fase de testes da Reforma Tributária 2026, com destaque de CBS e IBS. A resposta vai indicar o grau de exposição da sua empresa.

Para quem usa sistema antigo, desenvolvido por terceiro ou que não tem mais suporte ativo, o risco é maior — não porque a empresa vai fechar, mas porque a correção vai demorar mais do que o problema leva para aparecer. Implementações e atualizações de ERP costumam levar de semanas a meses, dependendo do porte da operação.

Empresas que já passaram por essa revisão descobriram que o sistema estava desatualizado — e que a adequação levou entre duas semanas e dois meses, dependendo da complexidade do setup. Quem esperou a nota errada sair pagou mais caro para correr.

A janela ainda está aberta — por quanto tempo?

2026 é o ano de teste: as alíquotas são baixas, as penalidades ainda não atingiram o pico e há tempo para ajuste. Mas o cronograma da reforma não para — e o sistema que hoje emite nota com campo incompleto vai continuar fazendo isso até que alguém ordene a correção.

A pergunta que fica: quem vai perceber o erro primeiro — você ou o seu cliente?